Trem di minero
(Textos)


A palavra trem, muito familiar aos mineiros, vem do francês/inglês train e possui diversas acepções: 1) conjunto de objetos que formam a bagagem de um viajante; 2) comitiva; 3) mobiliário de uma casa; 4) conjunto de objetos apropriados para certos serviços; 5) carruagem, sege; 6) comboio ferroviário; 7) bateria de cozinha; 8) qualquer objeto ou coisa, negócio, treco, troço.
O sentido de comboio ferroviário, como se vê, é apenas o sexto e recebeu o nome de trem porque transportava os trens das pessoas. Vale lembrar que, anos atrás, o transporte ferroviário era o mais importante, embora merecesse, até dos próprios mineiros, justas críticas. Por exemplo: as iniciais da Rede Mineira de Viação (RMV) eram conhecidas, nas Alterosas, como Ruim Mas Vai . . .

 




Comida Mineira
Letra e Música: Toninho Geraes e Paulinho Rezende

Me dá de comer, mineira,
Tempera o tutu paixão.
Já mandei fazer a feira,
Já botei lenha no fogão.
Carrega no cheiro, mineira,
Faz como só você faz:
Mata essa minha vontade,
Que eu tô com saudade
De Minas Gerais.

Quero vaca atolada
Com pimenta.
Mandioca, polenta,
Angu, carne seca,
Iô, iô com iá, iá.
Faz uma galinhada, leitoa assada,
Rabada e agrião.
Quem faz carinho no meu paladar,
Manda no meu coração.
Ai! Aquela costelinha que ocê faz
De vez em quando.
Com tempero e ora-pró-nobis,
É de se comer rezando.
Feijãozinho tropeiro, toicin de fumeiro,
Torresmo e jiló.
Melhor que tudo isso, meu bem,
Só mesmo o nosso xodó.
(Refrão)

Faz frango com quiabo
E uma canjiquinha.
Capricha na dobradinha.
Põe couve nesse bambá.
Lombo a Feitiço Mineiro,
Broa e biscoito sinhá.
Seu rango é maravilhoso,
Mas beijo guloso
Como o seu não há.
Tem bom bocado mimoso
No beijo gostoso que você me dá.
Faz um pé-de-moleque,
Bolo caipira, pãozinho de itabira.
Ferve a canjica e me dê
Gosto dos seus quitutes,
Mas, quando a gente se vê,
Fico entre o doce de leite
E o doce deleite da cama, porque
Não pode haver companheira
Delícia mineira melhor que você!



 

Feitiço Mineiro
Letra e Música: Clodo Ferreira e Ribah Nascimento

Toda terra tem seu jeito
De fazer se apaixonar
Umas são feitas de mata,
Outras de praia ou de mar.

Mas aquela tem um toque
Que me faz arrepiar,
Pelas varandas abertas
Numa noite de luar.

Da viola eu quero o fogo,
Da fogueira o calor,
Do meu amor um abraço
E um pouco mais de amor.

Quando ela está comigo,
Não preciso nem sonhar.
Lá vem: viola quando vem
É um trem, Feitiço mineiro.





Declaração paros meus amigos (à mineira)
Ces são o colírio do meu ôiu.
São o chiclete garrado na minha carça dins.
São a maionese do meu pão.
São o cisco no meu ôiu (o ôtro oiu - eu tenho dois).
O limão da minha caipirinha.
O rechei do meu biscoito.
A masstumate do meu macarrão.
A pincumel do meu buteco.

Nossinhora!
Gosto dimais da conta docêis, uai.

Cessão tamém:
O videperfume da minha pintiadêra.
O dentifriço da minha iscovdidente.

Óiproceisvê, quem tem amigos assim, tem um tisôro!

Eu guárdêsse tisouro, com todo carinho, do Lado Esquerdupeito!!!
Dentro do Meu Coração!!!

AMOOCÊIS PADANÁ!!!





Só mineiro intende!!!
Sapassado, era sessetembro, taveu na cuzinha tomando uma picumel e cuzinhando um kidicarne
com mastumate pra fazê uma macarronada com galinhassada.
Quascaí de susto, quando ouvi um barui de dendoforno, pareceno um tidiguerra. A receita mandopô
midipipoca dentro da galinha prassá. O forno isquentô, u mistorô e o fiofó da galinha ispludiu!!
Nossinhora! Fiquei branco quinein um lidileite. Foi um trem doidimais!!
Quascaí dendapia! Fiquei sensabê doncovim, proncovô, oncotô.
Óiprocevê quelucura!!!
Grazadeus ninguém simaxucô!

Humbração procêis!





Minas Gerais: histórias de um povo.

Ser mineiro não é só uma questão geográfica. É também.
E dá pra explicar: se você nasceu em Minas, ganhou de cara a herança do jeito mineiro.
Mas esse jeito pode passar também para os povos de outras terras, aqueles que aqui
chegam e imediatamente se apaixonam pelo jeito de ver a vida através dos óculos de
esperança, sabedoria, bondade, desconfiança e cuidado.
Ser mineiro é tomar café com leite falando de política.
E enquanto a média esfria, ele esquenta orçamentos e receitas com altas negociações.
Ser mineiro não é ser esperto, é ser desperto.
É estar atento enquanto todo mundo está distraído.
É estar consciente do tamanho do braço e do chapéu. E deixar o chapéu só onde a mão alcança.
É usar chapéu.É dizer: hein?, enquanto pensa duas vezes e procura uma resposta para a pergunta.
Para ser mineiro, é preciso estar em Minas. É preciso conhecer a alma dos sabores,
em cada doce que sai do tacho quente.
A história dos doces de Minas ainda ecoa em diversas cidades mineiras.
Poços de Caldas, Araxá e tantas outras cidades exportam preciosidades em pequenos
potes de vidro. Sabor e cor. Verdade e essência. Inesquecíveis doces de leite, de mamão,
de abacaxi, de goiaba, de cidra, de abóbora, de banana, de marmelo, de côco.
Arroz doce, rabanada, cajuzinho... E como a essência precisa ser bem acompanhada,
Minas inventou o queijo e o requeijão, sob medida para despertar suspiros após as refeições.
As refeições mineiras misturam histórias e manias. Histórias de tropeiros que levavam feijão
cozido com farinha em longas viagens a cavalo e manias de mineiros, que se chegavam
no fogão de lenha para se aquecer e cozinhar mais um pouquinho o angu, o frango e o quiabo.
Histórias de carnes salgadas e secadas ao sol, para durarem mais nos alforjes dos viajantes,
manias de aproveitar receitas antigas de feijoada e adicionar toques particulares,
como couve, farofa e laranja picadinha.A cozinha mineira tem aroma, sabor, casos e surpresas.
Mas como todo bom mineiro, precisa de tempo para provar
e conhecer cada tempero. De preferência acompanhado pela cachaça de cana.
Mineiríssima. A cultura mineira está folheada e rebuscada de ouro e história.
Ouro do tempo das minas, ainda envoltas em mistérios e encantos,
entre as montanhas das Gerais. E histórias da época áurea da colonização portuguesa.
Em cidades onde o tempo parece ter parado, tal o estado de conservação de casas,
museus e igrejas, Minas mantêm o estilo colonial, as cores e o clima de uma época.
As obras de arte mineiras, na sua maioria com inspiração religiosa, traduzem
os sentimentos de um povo através de esculturas, pinturas e cerâmicas. Mestre Aleijadinho,
desafiando enormes limitações físicas, ergueu apóstolos em pedra sabão,
despertando admiração e fé. As montanhas mineiras têm segredos feitos de pedras preciosas,
semi preciosas, ouro, metais e objetos valiosos. Grutas e cavernas, que remetem à era mais antiga
do homem na terra, são verdadeiros guardiães da história, inclusive de ossadas pré-históricas, recentemente desenterradas numa delas. O mineiro é calado, como as montanhas que os cercam...As Minas
dos morros e cachoeiras atraem o olhar e a energia de jovens,
que encontram ali o local mais propício para a promoção de competições em motocicletas,
bicicletas, ultra leves e tantos outros esportes.O artesanato mineiro é a herança cultural
de mãe para filha. É a renda que se faz para passar o tempo e ajudar no sustento da família.
É o tempo que custa a passar em pequenas cidades ensolaradas, deixando a renda
cada vez mais detalhada, mais bem feita, mais bonita.Assim é o
artesanato: bonito, barato, inacreditável nos detalhes, valoroso no trabalho. Em Minas a hospitalidade
faz parte do dia-a-dia. É bom receber quem chega, abrir a casa, a mesa e o coração.
Chegar em Minas é conhecer um povo sem truques. Um povo que olha no olho e pergunta
como vai. E quer saber. Minas divide o pão com a maestria de quem serve um caviar.
E acompanha o visitante entre passeios que misturam cultura e esporte, negócios e política.
Assim é ser mineiro. Devagar, mas sem perder o bonde.




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